quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fique de olho no marinheiro que você tem !

O menino, filho do dono do iate, sai correndo da cabine dos pais, gritando:
- Paiê, tem um homem dentro do armário do seu quarto! Eu ouvi...
- Tem nada, filho... Dever ser sua imaginação. Deixa eu continuar pescando aqui, sossegado, enquanto sua mãe dorme lá embaixo.
- Mas, pai, eu ouvi os barulhos: tem um homem lá dentro sim!
-Tá bom, tá bom, vamos lá e eu te mostro que não há nada. Tá vendo! Não tem nada aqui dentro. Só minhas roupas, as da sua mãe... E o nosso marinheiro, o Antenor... Antenor!
O que você está fazendo aqui dentro? Caramba, Antenor, eu não esperava isso... Eu te trato bem há anos, te considero como se já fosse da minha família, quase um grande amigo e você me apronta uma dessas? Como você teve coragem de fazer um negócio desses?
Sinceramente, jamais pensei que você pudesse fazer isso... Francamente, Antenor! Se esconder dentro do armário para assustar o meu filho...
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ancorado, mas nem sempre a salvo...

 

 Ancorar é quase uma arte e nada tem a ver com o simples fato de jogar um ferro na água

Por Lucas Tauil de Freitas

Boa parte dos acidentes de automóvel acontece a poucos quarteirões de casa, porque o motorista já está tão habituado com o caminho que baixa a guarda. Com barcos não há estatísticas precisas, mas não são poucos os casos de navegadores até experientes que perderam seus barcos quando já estavam parados e ancorados. O famoso navegador francês Bernard Moitessier, por exemplo, circum-navegou o globo mais de uma vez, mas perdeu seu barco numa simples praia, depois de ele desgarrar na ancoragem.
 
Ancorar é uma arte cheia de traquejos. O elementar é escolher uma baía que ofereça proteção contra os ventos predominantes na região e que tenha um tipo de fundo que agarre bem a âncora, com boa tensão. Isto é o básico. Mas só isso não basta. Tanto ao baixar o ferro quanto ao escolher uma poita para prender o barco é preciso calcular qual será o raio que o casco girará, no caso de o vento ou a maré mudarem e, não pode haver nada dentro dele.
 
Escolhido o ponto ou a poita, é preciso aproximar-se bem devagar, para que o barco pare exatamente no local e com a proa apontada para o vento.
 
Baixar a âncora é outra função que requer técnica e paciência, não basta apenas jogá-la na água, como à primeira vista parece. Ela deve ser solta lentamente, para apenas tocar o fundo. Em seguida, também lentamente, deve-se deixar o barco ser arrastado pelo vento para trás, ao mesmo tempo em que se solta mais corrente para a âncora, ou deve-se engatar a ré, ainda mais lentamente. Se a âncora descer rápido demais, ela puxará muita corrente, que poderá embolar sobre a própria âncora, impedindo o seu perfeito funcionamento.
 
Quanto à quantidade de cabo ou corrente, calcule cerca de três vezes a profundidade do local. Ou cinco, no caso de mau tempo, mas nunca se esqueça do tal raio de giro equivalente. Caso o barco não tenha condições de girar totalmente, uma possibilidade é baixar uma segunda âncora, presa por uma alça à corrente da primeira, por um cabo independente. Este cabo deve ter o comprimento do raio de giro possível. Isso irá reduzir o raio de giro da embarcação em torno da segunda âncora, que, por sua vez, também manterá a corrente bem firme no fundo.

Uma vez com a âncora no fundo, deve-se engatar uma ré bem forte, para testar se ela agarrou no fundo de fato, ou unhou, como dizem os velhos marinheiros. O mesmo vale para as poitas, neste caso, para testar a integridade dos seus cabos. E, como seguro morreu de velho, sempre costumo fazer algo mais, além de tudo isso: mergulhar para ver se está tudo bem mesmo lá embaixo. Exagero ? Não acho. A história náutica está repleta de casos de gente que sabia tudo de mar e, mesmo assim, perdeu seu barco quando ele estava parado e supostamente seguro na ancoragem. Portanto, na dúvida, mergulhe. Até porque, se o lugar for realmente bonito, será isso que você irá fazer em seguida, não é mesmo ?
 
 
Lucas Tauil é instrutor de vela e está fazendo uma volta ao mundo, na qual recebe alunos a bordo do Veleiro Santa Paz (www.santapaz.com)