quinta-feira, 8 de março de 2012

Polícia identifica quadrilha que assaltava lanchas em Paraty

Ilha do Cedro, em Paraty, onde estava ancorado um dos iates assaltados
Gabriel de Paiva / O Globo

RIO - Um trabalho conjunto da polícia do Rio e de São Paulo levou à identificação da quadrilha que estava assaltando lanchas em Paraty, no Rio, e em Ubatuba, no litoral paulista. Duas pessoas estão presas e uma terceira está foragida. A polícia investiga ainda um quarto suspeito: ele foi marinheiro durante quatro anos da família do médico paulista assaltado em janeiro passado em Paraty. A quadrilha usava a mesma estratégia em todos os ataques: aterrorizava as vítimas e fazia ameaças para que não registrassem queixa na polícia. Os bandidos também exigiam as senhas dos cartões bancários dos assaltados, para fazer saques.

As investigações começaram depois que a lancha de 64 pés do médico paulista foi assaltada por cinco homens encapuzados. Eles levaram terror à família por duas horas e fugiram levando um dos motores do iate, R$ 1.400, um revólver Taurus registrado, GPS e outros equipamentos da embarcação, além de quatro celulares. O assalto aconteceu na mesma época em que a Capitania dos Portos fez uma inspeção na região para verificar as condições de segurança das embarcações. A lancha do médico tinha sido uma vistoriada no dia 20.

Designado para investigar o caso, o delegado de Angra dos Reis, Francisco Benitez, entrou em contato com o delegado de Ubatuba, André Costilhas, para tentar ouvir o médico — que havia se recusado a depor. Benitez descobriu então que a polícia de Ubatuba também estava investigando um assalto praticado na região, com as mesmas características do que ocorrera em Paraty.

Os dois delegados trocaram informações, ouviram muitos marinheiros e chegaram até o nome de Vilke Vieira Sacramento, o Piti, de 31 anos, que deixou Angra — onde tinha passagem pelo polícia como suspeito de assalto — há um ano e foi morar em Ubatuba, onde trabalhava em marinas. Ele, que teve a prisão temporária pedida pela polícia, está foragido. Os policiais, no entanto, descobriram o endereço da companheira de Piti, Michele de Jesus Fernandes, em Ubatuba, e a prenderam.

— Na casa dela foram encontrados vários equipamentos roubados em barcos, relógios, cremes importados e ainda lacrados, além de um motor Mercury 25, semelhante ao do iate do médico. Também foi apreendido um carro e um barco de alumínio, provavelmente usado no assalto de Paraty — disse Benitez.

Michele usou cartões e cheques de vítimas de assaltos em lojas nas quais já trabalhou em Ubatuba. Através dela, os policiais de Angra chegaram a outro integrante do bando, Marcos Abdias dos Santos. Ele foi preso ontem à noite, no Parque das Palmeiras, em Angra, e será transferido para Ubatuba.

— O bando era formado em sua maioria por marinheiros que conheciam bem a rotina das vítimas. Um dos investigados, que trocou cheques de vítimas, foi marinheiro da família do médico paulista durante quatro anos — disse o delegado.

As vítimas do assalto que ocorreu em São Paulo terão condições de identificar os acusados. Já o médico paulista e seus parentes não poderão fazer o mesmo, porque os bandidos estavam encapuzados. Benitez, contudo, garante que o caso está elucidado:

— As frases ditas pelos criminosos nos dois casos foram as mesmas. A única diferença entre os dois roubos é que, no assalto de Paraty, os ladrões não mostraram os rostos, porque certamente seriam reconhecidos. Os dois assaltos foram praticados pela mesma quadrilha. O caso já está elucidado, só faltam alguns elementos para fecharmos os inquéritos de Ubatuba e de Paraty.

O prefeito de Paraty, José Porto, elogiou o trabalho da polícia:

— Nós sabíamos desde o começo que a polícia ia chegar aos criminosos, porque assaltos como o ocorrido em janeiro não são comuns em Paraty.

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