A propriedade do espólio de Castor de Andrade no Saco do Céu: casas (embaixo na foto) e área desmatada (em cima) / Foto de Custódio Coimbra - O Globo
Os responsáveis pelo desmatamento de um pedaço da Área de Preservação Permanente (APA) dos Tamoios, dentro de uma propriedade do espólio do bicheiro Castor de Andrade, na Ilha Grande, em Angra, serão acusados por seis crimes, cujas penas, somadas, chegam a 17 anos de prisão. A informação é da delegada Juliana Emerique de Amorim, da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (DPMA), que, após ir até o local, no último dia 14, instaurou inquérito para investigar os crimes. A delegada disse que aguardava resposta para identificar o dono da área.
Nesta quinta-feira, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) encaminhou à DPMA cópia do auto de constatação emitido em agosto passado em nome de Carmem Lúcia de Andrade Iggnácio, filha de Castor e mulher de Fernando Iggnácio, acusado de ser mandante de homicídios na disputa pelo controle do mercado de caça-níqueis no Rio. No mesmo dia, policiais do Batalhão Florestal e do Meio Ambiente (BPFMA) da Polícia Militar detiveram o caseiro da propriedade. Paulo Brito foi detido porque era o responsável no momento. Os administradores do espólio não foram localizados. Segundo o Ibama, chega a 2,38 hectares (23.800 metros quadrados) a área que estava sendo devastada. A extensão do desmatamento - bem maior que os mais de dez mil metros hectares noticiados inicialmente pelo GLOBO - foi informada pelo superintendente do Ibama no Rio, Adilson Gil, com base nos dados de uma multa de R$ 21 mil aplicada em dezembro pelo órgão.
Desmatamento criminoso no Saco do Céu, Ilha Grande, Angra dos Reis.
A detenção aconteceu durante vistoria da polícia e de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e do Ibama. Os agentes constataram que o desmatamento continua. Um eletricista que trabalhava no local também foi detido e levado, num helicóptero do Grupamento Aeromarítimo da PM, para a 166ª DP (Angra). Depois de prestarem depoimento, os dois foram liberados. Os PMs constataram que um manguezal continua sendo aterrado e que estão sendo feitas obras, sem licença, para a instalação de uma rede de energia subterrânea.
O comandante do BPFMA, tenente-coronel Mário Fernandes, disse ter tomado todas as medidas repressivas necessárias para frear o desmatamento. Os agentes voltaram ao local pela terceira vez para verificar se houve aumento da área devastada. Segundo Fernandes, a primeira vez foi em 16 de novembro, em apoio a fiscais do Ibama que constataram o dano ambiental, autuaram os proprietários e encaminharam o auto ao Ministério Público Federal (MPF), que instaurou inquérito para punir, no âmbito federal, os responsáveis pela devastação.
O secretário de Meio Ambiente de Angra, Marco Aurélio Vargas, disse que fiscais do município acompanharam os agentes do Inea e não lavraram autos de infração para não ocorrer sobreposição de ações, já que os autos já tinham sido lavrados pelo Inea. Vargas disse que não houve qualquer pedido de licença de obras para o local degradado.
O MPF informou que foi instaurado inquérito para apurar responsabilidades pelo desmatamento e obrigar os responsáveis, através de medida judicial, a recuperar a área desmatada.
Clareira aberta criminosamente no Saco do Céu, Ilha Grande, Angra dos Reis.
A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, disse, por sua vez, que poderá embargar e até demolir a obra. Segundo ela, além de serem novamente multados, os responsáveis serão obrigados a apresentar um plano de recuperação da área:
- Vamos aplicar nova multa e aumentar seu valor.
O presidente do Inea, Luiz Firmino, disse que não tinha conhecimento do aumento da área devastada:
- A lei só permite multa direta de R$ 28 mil, mas o conselho diretor pode deliberar valor maior considerando o local. Vamos aumentar este valor para doer no bolso.

A area devastada é muito maior do que um campo de futebol.
O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, disse que o próximo passo será o embargo definitivo da obra pela coordenação geral de fiscalização e, depois, partir para ação judicial demolitória.
A respeito disso tudo, o colega da ABVC Lauro Valente, declarou muito bem:
-AAAaahhhhhhh!!!! Agora sim!!!!! Prenderam o responsável!!!!! A culpa é do caseiro!!!!!! ...Esse país é uma vergonha mesmo !
E você, o que acha disso tudo ?????
Fonte: O Globo e Lauro Valente (Grupo ABVC)





