quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Regata para o paraíso - XXII REFENO

O Planeta Água em Fernando de Noronha

Regata para o paraíso

REFENO 2010 - XXII - Início, Meio e Fim...

por Fernando Maciel

Mais uma vez estamos no Recife prestes a iniciar mais uma REFENO. Acho, não, tenho certeza de que não é a primeira vez que escrevo isso desta forma! Bem, se não me falha "as memória", são nove, é, com esta vão ser nove vezes em Noronha, e isto, é tudo de bom. Feliz de quem tem a sorte de desembarcar na Ilha de Fernando de Noronha uma vez, se for mais de uma então, o cara é um sujeito abençoado.

O clima que antecede a uma REFENO, é algo que não se pode explicar, tem que ser vivenciado. As expectativas de uma travessia de aproximadamente 300 milhas náuticas, fazem as cabeças de comandantes e tripulantes menos calejados darem loopings radicais. Nestes dias aqui no Cabanga, podemos sentir claramente isso. Todos são contaminados por um vírus que excita, aguça, e até por que não confessar... Amedronta, é a mais pura adrenalina, bem a flor da pele.

A flotilha de barcos oriundos do sul do Brasil, é a maior de todas as edições da REFENO, são aproximadamente 16 veleiros, mais um outro tanto de velejadores sulistas, que estão embarcados como tripulantes em diferentes veleiros de vários estados. Os churrascos, acontecem quase diariamente, cada barco conhecido que chega é motivo pra tacar fogo nas churrasqueiras do Cabanga. Nos raros dias em que não rola algum churrasco, a pedida é o pequeno e bom restaurante da Dona Lindalva, ali mesmo, dentro do Cabanga e em frente a palhocinha. No restaurante da Lindalva, não tem vez pra apressadinho, tudo funciona num ritmo diferente, um tanto mais lento do que estamos acostumados, mas, a simpatia do seu Lindalvo (esposo da Lindalva, que ninguém sabe o nome, e por isso, virou Lindalvo), e de toda a equipe, compensa aquela agonia que da em ver tudo acontecendo em slow motion.

Tripulação momentos antes da partida do Cabanga para o Marco Zero

Um a um, os barcos vão chegando para participar da regata para o paraíso. A 22ª edição da Recife-Fernando de Noronha atraiu mais de 133 veleiros, mas, apenas 96 embarcações chegaram a ilha, entre eles os veleiros gaúchos, Easy Going do comandante Joel Raymundo, Entre Pólos do comandante Ademir "Gigante" de Miranda, Kalymera V do comandante Antonio Carlos Paes Leme, Planeta Água deste humilde escriba, Rebojo 1 do comandante Ernesto Pires, Rekantu's do comandante Nilson Marques Vieira, Riacho Doce do comandante Paulo Silveira, ToaToa do comandante Raul Barbosa Junior e o Uranus do comandante Carlos Froner, velejaram do Rio Grande do Sul até Recife apenas para participar da regata. Com exceção do Entre Pólos que viajou sozinho, todos os demais veleiros gaúchos, chegaram à capital pernambucana integrando duas grandes flotilhas, a primeira chamada Crucero de La Amistad, que veio desde a Argentina. A cidade do Rio de Janeiro, foi o ponto de encontro das duas flotilhas, na cidade maravilhosa, o Crucero de La Amistad se juntou ao Cruzeiro Internacional da Costa Leste. Todos tinham um só objetivo: participar de mais uma Refeno, a tradicional regata Recife-Fernando de Noronha, que nesta edição completou 22 anos, e por isso mesmo merecia tê-los entre os inscritos.

Disputada muitas milhas ao norte do tradicional circuito gaúcho de vela, a Refeno reúne, em uma semana inteira de confraternizações, uma mistura enorme de sotaques, sotaques oriundos dos mais diversos recantos da Terra. Impossível não ficar impressionado com as dimensões de um evento que nasceu despretensiosamente há duas décadas, e que hoje atrai mais de 500 velejadores, boa parte deles investindo no prazer próprio de uma grande velejada. Recife não é Ilhabela, mas, em época de Refeno, parece muito. Foram quase três dias de fortes ventos e um mar com grande ondas, pra compensar, teve também muitas festas e muita curtição, já que acima de tudo, esta competição serve como artifício para todo mundo ir velejando até a ilha mais bonita do Brasil. O primeiro veleiro a chegar em Fernando de Noronha foi o trimarã Ave Rara que fez a travessia em 22 horas e 45 minutos. Nossos representantes também fizeram bonito, o Planeta Água percorreu às 300 milhas náuticas que separam Recife de Fernando de Noronha em 39 horas e 34 minutos, e passou a ser chamado carinhosamente pelos comandantes amigos de bixo papão da REFENO 2010. Foram cinco premiações, cinco subidas ao pódio:

  • 2° Lugar Classe RGS C
  • 1° Delta 36' Classe Delta 36'
  • 1° Barco do Costa Leste a chegar em Noronha
  • 1º Lugar Taça Carlos Alberto Ciarlini
  • 1° Barco Associado da ABVC a chegar em Noronha

Hora da festa, sobrou euforia e felicidade na premiação em Noronha

Veja abaixo o desempenho dos demais barcos gaúchos:

  • O veleiro Easy Going chegou em 5º lugar na RGS E.
  • O veleiro Entre Pólos chegou em 2º lugar na classe Aço A.
  • O veleiro Kalymera V chegou em 2º lugar na classe ORC CLUB.
  • O veleiro Rebojo 1 do comandante Pires de Jaguarão, ganhou o Troféu de barco procedente do lugar mais distante do Recife.
  • O veleiro Rekantu's chegou em 2º lugar na classe Aço B.
  • O veleiro Riacho Doce chegou em 6º lugar na RGS C.
  • O veleiro Uranus chegou em 3º lugar na RGS D.

Para ver a classificação geral por tempo real clique AQUI

Para a maioria dos participantes da Refeno, o verdadeiro prêmio é poder curtir intensamente a ilha. O melhor prêmio é estar em Noronha! Noronha não é grande, tem menos de uma dúzia de quilômetros de extensão, mas consegue a proeza de reunir um espetacular cardápio da natureza, com praias completamente diferentes, embora uma ao lado da outra. Há largas faixas de areia, minúsculas baías, praias com ondas fortes ou tranqüilas piscinas. Você escolhe qual tem mais a sua cara, mas com a certeza de que ela estará sempre vazia. E é isso também o que a maioria dos velejadores que participam da Refeno buscam. Afinal, a grosso modo, os amantes do mar só tem duas maneiras de chegar lá: a bordo de um navio de passageiros ou como participante da Refeno. O único problema é que, tanto uma opção quanto a outra, só acontece uma vez por ano: os navios no verão e a Refeno em setembro. Por sorte, todo o mês de setembro. E, no ano que vem, tem mais.

Fernando Maciel comandante do Planeta Água o Bixo-Papão da XXII REFENO

Um comentário:

  1. Parabens,grande feito.Um abraço.Lunardi {ENERGIA]

    ResponderExcluir