segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cruzeiro Internacional da Costa Leste 2010 - XXXI

Camamu, terceira maior baía do Brasil.

Imagine navegar pelas baías da Guanabara, RJ. ou de Todos os Santos, BA. no tempo em que suas águas eram cristalinas e limpas, no tempo em que se podia ancorar tranquilamente em enseadas com praias desertas. No centro da Costa do Cacau e do Dendê, a meio caminho entre Ilhéus e Salvador, existe um lugar onde o tempo parece não ter passado é a linda baía de Camamu.

Do diário da "Almiranta".

13.08.10 - Chegamos na praia da Ilha do Campinho (13°54,900' S 038°59,400' W), na baía de Camamu às 14:30h. À noite, estava programado um passeio até um restaurante para comermos lagosta, o lugar fica na vila Sapinho distante 0,5 milha náutica ao S do nosso fundeio. Acabamos nos atrasando, quando a traineira passou para nos apanhar, o Fernando havia ido para o banho, então foram a Vitória e o Jonas. Nós descemos na praia e comemos no bar do Reges, acabou sendo bem gostoso, pois curtimos um pouco a sós.

Campinho - Maraú é um porto natural que abriga velejadores em trânsito pela região. O pequeno povoado conta com atracadouro e um Iate Clube particular, onde os velejadores costumam hospedar-se. Localizado a três quilômetros de Barra Grande, o povoado é conhecido pela casa onde Antoine de Saint-Exupéry hospedou-se na década de 1930.

Por ter águas muito profundas, o local chegou a ser cogitado para construção de um porto industrial que acabou sendo transferido para Ilhéus.

Bar do Reges na Ilha do Campinho.

14.08.10 - Fizemos um passeio de traineira, o nome da embarcação "Quem Trabalha Deus Ajuda " é no mínimo interessante... São várias traineiras que oferecem diversos passeios, e os nomes são todos, digamos, interessantes. Engraçado foi escutar no rádio VHF:

- "Quem Trabalha Deus Ajuda... Quem trabalha Deus Ajuda... Copia Vagabundo."

Vale dizer que, o veleiro Vagabundo do comandante Fábio Barreto Prado, é integrante do CICL 2010 e faz parte de nossa sub-flotilha.

Ilha da Pedra Furada, baía de Camamu, BA.

Passamos pela IIha da Pedra Furada, que tem este nome devido a uma rocha em forma de arco que lembra também um portal... Com certeza, obra do mar e do vento que ali trabalharam durante séculos. A ilha é bem pequena, mas de grande beleza. Fomos ao povoado de Barra Grande, pequeno vilarejo com aproximadamente 1.400 habitantes onde as ruas são de areia, sem calçamento. O lugar conta com uma boa infra-estrutura de bares, restaurantes, pousadas e agências de passeios. Outra escala que fizemos no passeio de traineira foi à Cajaíba, visitar Cajaíba é literalmente voltar no tempo, neste lugar a principal ocupação de seus moradores é a construção de escunas, é fantástico conhecer e ver detalhes destas construções, que quando prontas, partem para os mais diversos pontos de nosso litoral, e por fim, paramos para o almoço na Vila Sapinho, restaurantes rústicos com mesas na areia, crianças vendendo doces caseiros, boa comida e cerveja geladinha, é tudo de bom.com. Após o almoço, fomos dar uma caminhada para conhecer a vila, também tudo "chão batido" ruas de areia, as portas e janelas das casas abertas nos permitiram ver a simplicidade e o capricho do povo daqui. Dia cheio de atividades , novas experiências e vivências para guardar para sempre.

Vendedor de frutas no povoado de Barra Grande, baía de Camamu, BA.

Estaleiros de Cajaíba, baía de Camamu, BA.

16.08.10 - Como não havíamos desembarcado na Ilha da Pedra Furada no dia do passeio, apenas fotografamos, hoje resolvemos ir até lá de bote. A Ilha da Pedra Furada, é uma das mais visitadas da Baía de Camamu, ilhota de rara beleza e curiosa formação. Há apenas um morador na ilha, e este para nossa surpresa, chama-se Maciel. Bebemos água de côco que foram colhidos por ele na própria ilha, tiramos algumas fotos e começamos a voltar para o barco, pois nosso local de fundeio esta a 1,5 milhas náuticas a SE de onde estávamos. Só que, a maré não estava a nosso favor e começou a ventar forte de S, resumo, encheu o bote de água até as canelas e não preciso dizer que tomamos um banho daqueles. Mal encostamos o bote na popa do Planeta e o Rogério do veleiro Gameio gritou:

- "Fernando, o Zíngaro está garrando!"

Zíngaro, é o nome de um veleiro integrante do CICL 2010, que estava ancorado próximo das pedras de um molhe existente na praia da Ilha Campinho. Nosso capitão, mesmo com o bote cheio de água foi até o Zíngaro e logo em seguida já vieram outros para ajudar, enquanto isso, o Zíngaro seguia em direção as pedras... Foi um alvoroço, na verdade não tinha muito o que fazer, pois não tinha como dar partida, estava sem a chave do motor, até que surgiu uma escuna escolar e rebocou o mesmo para bem longe das pedras. O vento estava muito forte, na sequência vários barcos começaram a garrar e foi uma grande correria, pois a maioria do pessoal estava fazendo passeios, conhecendo outros lugares da baía de Camamu, então quem estava por ali foi quem socorreu os barcos, no final acabou ficando tudo bem, graças à Deus.

17.08. - O vento continuava forte. Houve uma reunião de comandantes de flotilha no veleiro Guga Buy, a pauta era decidir quando iríamos zarpar de Camamú. Dividiram as flotilhas em duas, nossa saída ficou marcada para o dia seguinte rumo ao Morro de São Paulo, os demais barcos sairiam um dia depois e iriam direto para Salvador.

2 comentários:

  1. Recebi teu comunicado, Fernando. Desejo sucesso pra ti e tua tripulação nessa navegada da Costa Leste. Bons ventos, pois "água da pharmacia" sei que não vai faltar! Abraços, Hermes.

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  2. Caro Hermes,

    Obrigado por tuas palavras! É verdade, já andei me benzendo na pharmacia móvel marítima, a bem da verdade, uma coisa de louco...

    Forte Abraço

    Fernando

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