quinta-feira, 27 de maio de 2010

Crime Ambiental no Saco do Céu

O maravilhoso Saco do Ceú na Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ. - Brasil
Mais uma vez o Saco do Céu é assunto neste blog, agora o paraíso esta sendo vítima de um monstruoso crime ambiental. Em novembro do ano passado, chegávamos mais uma vez ao Saco do Céu, e na Enseada das Estrelas antes de deixarmos a Ponta do Céu por boreste, uma enorme clareira na mata entre a Praia de Fora e a Ponta do Rapozinho nos chamou a atenção. Estava ali bem na nossa proa, como se um gigante tivesse dado uma dentada naquele pedaço de mata atlântica.
Depois disso, estivemos por lá mais duas vezes, a última na semana passada entre os dias 16 e 21. Já havíamos estranhado a tal clareira no final do ano passado, desta feita, eu e a "Almiranta" resolvemos caminhar até a praia da Feiticeira na Enseada das Estrelas, e acabamos passando pela área que foi criminosamente desmatada. Realmente é um absurdo o que "estão fazendo" (pois havia um bom número de homens trabalhando) a dita obra se foi embargada foi só no papel. Impressiona a quantidade de árvores que foram derrubadas. É um crime bárbaro que esta sendo cometido a luz do dia, nas nossas caras...
Estamos falando de um pedaço exuberante da Área de Preservação Ambiental (APA) dos Tamoios, na Ilha Grande, que ganhou em menos de oito meses uma clareira do tamanho de um campo de futebol. Registros fotográficos feitos de agosto a abril mostram o avanço significativo do desmatamento na Praia Negra, na Enseada do Saco do Céu, um dos pontos mais charmosos de Angra dos Reis. Mais de dez mil metros quadrados de mata já foram queimados próximo à praia, numa área pertencente ao espólio do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997, e administrada por sua filha, Carmen Lúcia de Andrade Iggnácio, mulher do contraventor Fernando Iggnácio.
As autoridades já têm conhecimento do crime ambiental, mas ainda não conseguiram combatê-lo. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) embargou a obra em 11 de agosto passado, mas as fotos revelam que a filha de Castor ignorou a decisão. No mês passado, outra fotografia aérea tirada do local mostra que o desmatamento duplicou — em agosto eram quase cinco mil metros quadrados.
As fotos mostram que as árvores no entorno da área desmatada encobrem a destruição. Segundo o coordenador geral de Fiscalização do Inea, Carlos Fonteles, além do desmatamento da área, também conhecida como Ponta do Rapozinho — a região desmatada chama-se Sítio da Raposinha , houve a retirada, até aquela data, de cerca de cinco mil metros cúbicos de saibro.
Na região, comenta-se que aquele naco de mata pertence a Fernando Iggnácio, acusado de ser mandante de vários assassinatos na guerra dos caça-níqueis com seu cunhado, Rogério Andrade. A área, de 97.087 metros quadrados, com duas mansões projetadas pelo arquiteto Zanine, pertence às filhas de Castor, Beth e Carmen. Em Angra, o jogo do bicho é controlado por Cesar Andrade.
Em 12 de fevereiro, sábado de carnaval, uma equipe do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BPFMA), comandada pelo tenente Ronaldo Sabino, também flagrou o desmatamento. A equipe observou vestígios de queima de um manguezal (vegetação típica da região) numa faixa de 30 metros de largura por 160 de comprimento, além do plantio de grama na área já desvastada. O militar não pôde entregar a notificação de infração porque Carmen havia machucado um tornozelo e precisou ser levada a uma clínica médica. Mas esteve na 166ª DP (Angra) para fazer o registro de ocorrência 635/2010 por crime ambiental. No mesmo dia, a delegacia solicitou um laudo pericial, que até hoje não foi feito por “falta de barco”. É ou não é uma piada ?
O delegado Francisco Benitez Lopes disse que o BPFMA já foi avisado de que, em casos como este, deve aguardar a chegada de um perito.
— Temos aqui 365 ilhas e nenhuma lancha. Vamos lá como? A nado? Os policiais do Batalhão Florestal sabem que têm que aguardar o perito para levá-lo de lancha. Estamos aguardando o laudo pericial para encaminhar o RO para o Jecrim (Juizado Especial Criminal). Mas o perito tem que ser levado — explicou o delegado, referindo-se ao órgão da Justiça responsável pelo julgamento de crimes de baixo potencial ofensivo. Mas o dano já está feito.
— Eles (os donos) terão que apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad) feito por um especialista. Mesmo assim, a área só será revitalizada em 30 anos — calculou Fonteles.
O Ministério Público federal em Angra tomou conhecimento e aguarda uma resposta do Ibama sobre a competência da área — se federal ou estadual.
Na ocasião, o Inea emitiu o auto de constatação 1.921, assinalando os artigos 10 (agravantes); 46 (dano direto a alguma unidade de conservação); 49 (extrair de florestas consideradas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais); e 57 (destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas, protetora de mangues, objeto de especial preservação) da lei 3.467/2000. Esta lei dispõe sobre as sanções administrativas acerca de condutas lesivas ao meio ambiente no estado.
O Inea quer, agora, levar o caso ao Conselho Diretor do instituto (Codir) para que decida sobre o aumento do valor da multa. Pelos crimes listados, a multa deveria ser de, no máximo, R$ 28.700. Fonteles quer aumentar o valor para até R$ 50 milhões, valendo-se do artigo 99 (quando as infrações puderem resultar em destruição significativa da flora).
E blá, blá, blá... É de enlouquecer qualquer cidadão sério! Vamos ver se esta estupidez, também vai acabar em pizza! Qual a sua opinião ?
Fontes: Grupo ABVC, O Globo e Tripulação do Veleiro Planeta Água.

2 comentários:

  1. Infelizmente deve estar rolando muito dinheiro para que as autoridades ambientais façam vistas grossas para esse crime,a população da Ilha e Grande e os turistas que amam e preservam este paraíso precisam se mobilizar.mobilização esta que impediu que um resort fosse construído em Lopes Mendes a alguns anos atrás.

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  2. Josete,

    Alguma coisa com toda certeza muita estranha acontece neste caso... A pouco mais de uma semana estive no Saco do Céu e mais uma vez "perambulei" por lá, "assuntei" sobre aquele absurdo e um morador do local me disse: - os fiscais aparecem, policia ambiental também, notificam, multam etc... Aí eles param a obra, mas não demora nada e já reiniciam, eu não entendo o que acontece aqui !!!! Josete, só mesmo uma mobilização grande pra chamar atenção da imprensa e assim tudo isto ir parar na mídia, aí "talvez" pode ser que pararem, mas sinceramente, pelo que vi já é tarde demais... O estrago é bem grande !

    Bons Ventos

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