sábado, 6 de dezembro de 2008

Rocas, o Único Atol do Atlântico Sul - II

Os atóis, são ilhas formadas pelo crescimento de recifes ao redor do cume de vulcões submersos, se concentram principalmente nos oceanos Pacífico e Índico. O Atol das Rocas é o único existente no Atlântico Sul, onde representa um importante e maravilhoso refúgio ecológico, protegido e isolado em alto mar, considerado pela UNESCO como patrimônio natural da humanidade. É um lugar de difícil acesso para os homens e um dos poucos recantos do planeta ainda regidos apenas pelas leis da natureza.

Atol significa uma formação de recifes de coral em forma de anel, enquanto rocas, termo proveniente do espanhol, quer dizer rochas ou pedras. Como o próprio nome já diz, o Atol das Rocas não é uma ilha comum. Ele é resultado da luta e resistência constantes de minúsculas algas calcárias, corais e moluscos que formam e habitam o anel de recifes existentes sobre o topo de uma montanha submarina de origem vulcânica. Rocas, é o cume desta imensa montanha, cuja base se perde nas profundezas do Atlântico Sul.

O Atol das Rocas, localizado em mar territorial brasileiro, 03°51,500' S (Sul) 33°49,067' W (Oeste), esta distante 145 MN (milhas náuticas) à ENE (Leste/Nordeste) da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte e distante 81 MN à W do Arquipélago de Fernando de Noronha. Rocas, esta entre um dos menores atóis do planeta, composto por duas ilhas que pertencem ao Estado do Rio Grande do Norte, sua área compreende 360 km² incluindo o atol e as águas que o circundam, tudo área da Rebio (Reserva Biológica do Atol das Rocas, que é uma área delimitada para abrigar espécies vegetais e animais cujo valor científico e educativo restringe o acesso apenas a atividades de pesquisa e fiscalização). Rocas é a primeira Reserva Biológica Marinha do Brasil, criada em 05 de Junho de 1979, pelo Decreto Lei n° 83.549. As ilhas que compõem o atol se chamam Ilha do Farol e Ilha do Cemitério; a dimensão da Ilha do Farol é de 34.637 m², possuindo cerca de 1 Km de comprimento por 400 metros de largura. A Ilha do Cemitério por sua vez, possui 31.513 m², medindo aproximadamente 600 metros de comprimento por 150 de largura. As duas ilhas tem cerca de 03 metros de altura acima da preamar (nível máximo de uma maré cheia), sendo avistadas a aproximadamente 10 MN, dependendo da direção de aproximação do Atol das Rocas.

As correntes predominantes em Rocas são do rumo Equatorial Sul, com velocidade variando de 1 a 2 nós de velocidade. Seus maiores volumes e velocidades são observados em Abril e Junho. Nos meses de Maio e Setembro as correntes são incertas e de Setembro à Março podem se tornar fracas e às vezes insignificantes. A temperatura da água em profundidades superiores a 2 metros varia de 27 a 28,5 °C. A visibilidade varia de 25 a 40 metros. O clima é equatorial, com ventos alísios vindo do Sudeste e temperatura média de 26°C, sendo Agosto o mês mais quente, Outubro o mais seco e a época de chuvas de Março a Julho. De acordo com os dados da Marinha do Brasil, o período de chuvas do Atol das Rocas é semelhante ao de Fernando de Noronha, chegando a 250 mm no mês de abril e 6 mm no mês de Outubro.

Com a forma de uma elipse quase circular, esse antigo topo de vulcão funciona hoje como um enorme berçário para diversas espécies. Todos os anos, milhares de aves e centenas de Tartarugas-verdes retornam à Rocas para desovar. O local também é área de abrigo e alimentação da Tartaruga-de-pente. Ao lado do Arquipélago de Fernando de Noronha, o Atol das Rocas é considerado uma das áreas mais importantes para a reprodução de aves marinhas tropicais do País, abrigando pelo menos 150 mil aves, de quase 30 espécies diferentes. Atualmente, no pequeno território, vivem, o ano todo, cinco espécies de aves residentes: duas de Atobás, uma de Trinta-réis ou Andorinha do mar e duas de Viuvinhas, os Atobás de patas vermelhas e Fragatas vem de Fernando de Noronha para pescar. Além delas, 25 espécies migratórias fazem de Rocas um porto permanente. Passam por ali espécies originárias da Venezuela, da África e até Maçaricos provenientes da Sibéria. Até o momento, nenhuma espécie potencialmente predadora foi catalogada no Atol das Rocas, embora, ratos, baratas, escorpiões e outras pragas se proliferem por lá. Herança dos vários naufrágios ocorridos na área.

O atol é também o paraíso de muitas espécies aquáticas. Por se tratar de uma montanha isolada, em meio a mares profundos e afastados da costa, ele é ideal para peixes de todos os tamanhos, moluscos, algas, crustáceos e tartarugas. Quase cem espécies de algas, 44 de moluscos, 34 de esponjas, 7 de corais e duas de tartarugas já foram ali identificadas. Entre as 24 espécies de crustáceos, destacam-se o Caranguejo-terrestre e o Aratu (foto abaixo), que somente habitam ilhas oceânicas.

Em Rocas, foram ainda catalogadas quase 150 espécies de peixes diferentes, entre Sargos, Garoupas e Xaréus. Mas apenas duas dessas espécies, Gudião ou Budião e a Donzela são exclusivas da região, que abrange o Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha, o Tubarão-limão, uma espécie rara em Rocas tem motivado estudos de vários cientistas brasileiros e estrangeiros, a espécie passa o início da vida em cardumes, na laguna e nas piscinas do atol.

Fontes:

Instituto Aqualung, Equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, Ibama - RN.

National Geographic Brasil

Sites: Luciano Candisani, História do Mar e Wikipédia.

Leitura Sugerida:

  • Brasil Aventura - Ilhas / Ana Augusta Rocha e Roberto Linsker
  • Atol das Rocas /LucianoCandisani
  • Na terra No céu No mar / Luciano Huck e Rodrigo Cebrian
  • Peixes Marinhos do Brasil / Marcelo Szpilman

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