sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O vento de Porão...Crédo!!

Nossa participação esta ano na XXª REFENO, foi muito diferente das demais, como anteriormente já havíamos comentado. Estamos fazendo parte da tripulação do catamarã Voyager de 60 pés (foto). É nossa sétima visita a Noronha, cinco delas participando da regata...Sempre velejando... Este ano foi realmente diferente. Logo após a partida constatamos que o piloto automático não funcionava. No governo da embarcação, nosso comandante Emílio Russel reclama que o Voyager leva muito tempo para responder ao comando do Leme.
Emílio é um comandante muito experiente. Para vocês terem uma idéia ele é o único velejador que participou de todas as edições da REFENO, ou seja, 20 vezes. Ele diz que foram 44 travessias do Recife a Fernando de Noronha, num total de 13.000 MN. Só neste trecho. Cinquentão com ar bonachão, Emílio é o tipo de sujeito que faz amigos facilmente.
Voltando ao leme... Após o comandante reclamar da demora de resposta da embarcação aos movimentos do leme, Nico, o 1° na hierarquia a bordo logo após o comandante, confessa:
-Emílio, nós tiramos o barco da água e mandamos reduzir os lemes..
Lembro do olhar do Emílio para mim, tipo a perguntar sem nada dizer (o que esses caras fizeram??). No mesmo instante, Emílio acionou os dois motores do Voyager, argumentou queseria complicado velejarmos até a distante ilha sem piloto, e que o barco não estava arribando nem orçando a contento. Apartir dali usaria os motores de BE e BB para ajudar nas manobras.
Mestre Dijalma, o 3° na hierarquia de bordo, checando os motores descobriu um vazamento de óleo no motor de BE, após duas horas de muito trabalho de Nico e Dijalma o problema foi resolvido. Eu, Emílio, Dijalma e Nico... Turnos de duas horas no leme, sempre dois no comando, um no leme e outro no apoio. E o "vento de porão roncando, alto e forte". Digo a vocês, ninguém merece 34 horas com ventão de porão roncando no ouvido. Em determinados momentos, me senti profundamente irritado. Mais tarde, percebi que era o vento de porão, zunindo sem parar no meu ouvido estava me tirando do sério.

Com todos os probleminhas enfrentados, o saldo da "motorada" a Noronha foi positivo. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas que são ícones da vela no nordeste, a exemplo de Maurício Castro, idealizador da REFENO. Maurício nos contou que montou uma tripulação para ver se era possível chegar até Noronha a vela em um 24 pés. Isto em 1900 e Araci de Almeida. A tripulação "pé na cova", como foi batizada pelos amigos de clube, chegou a Noronha após uma semana de mar. Depois disso, Maurício disse que foi juntar mais alguns comandantes "doidos" e estava criada a REFENO. O Próprio Emílio Russel é outro exemplo de pessoa que vale a pena conhecer. Cheio de simpatia e belas histórias, ele nos apresentou a dezenas de velejadores. Enfim, valeu a pena.

Já em Noronha, olhando a lista oficial dos veleiros que chegaram a ilha, vi o Voyager figurando em 3° lugar, mas ao lado um DSQ (desqualificado) por conta do vento de porão. O comandante Emílio, assim que cruzamos a linha, pegou o rádio e corretamente informou a CR que havíamos motorado desde o Recife.

Hoje a tarde, disse ao comandante Emílio que este ano ele esta mais para lancheiro do que para velejador, como resposta, recebi apenas um sorriso amarelo.

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