segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Feliz Natal e Um Maravilhoso 2009

Nossa família deseja a sua ....Um Natal e Ano Novo de reflexão, aceitação, tolerância, pensamentos positivos, enfim, que seja o momento oportuno de colocar a nossa casa (nosso eu) em ordem, rever conceitos, mudanças de hábitos e atitudes, adequação ao novo momento e preparação para o Ano Novo, que firmemos cada vez mais os pés no chão para suportarmos toda e qualquer eventualidade.

Com carinho e amizade da família MACIEL

Marta Rech Maciel

domingo, 7 de dezembro de 2008

Atol das Rocas, Simplesmente Mágico - I

03/10/08 - Sexta-Feira, 17:00h... Chegou a hora de partir, estamos curtindo o lado bom de ficar ilhado a uma semana. Fundeamos na baía de Santo Antônio em Fernando de Noronha, no domingo passado. É a sétima vez que visitamos o paraíso, e como não poderia deixar de ser, o pecado rolou solto... Afinal, paraíso combina com pecado, então... Acho que cometemos quase todos.

Terminado o happy hour a bordo, levantamos âncora, proa no Atol das Rocas distante 81MN de Noronha, RM292°. Emílio Russel, comandante do Voyager nos disse que ia tentar fazer uma parada no Atol das Rocas, pois dependeria da autorização da chefe do parque para fundeio e desembarque. Chegar ao atol junto com os primeiros raios do sol, assim programamos.

Passava das dez da noite quando deixamos a Ponta da Sapata por BB, saímos do abrigo de sotavento proporcionado pelo relevo da ilha para encarar um mar muito batido. Na verdade, nós já sabíamos o que nos aguardava, no dia anterior a meteorologia já deixava claro que a navegada não seria das mais confortáveis. Infelizmente, não podíamos aguardar uma melhora nas condições do mar, nosso vôo para Porto Alegre já estava marcado.

A expectativa de desembarque no atol me excitava, já falei no meu fascínio por ilhas... A possibilidade de conhecer um lugar único e de difícil acesso mexia comigo, no atol só se chega por mar e o desembarque só acontece se o mar e o Ibama deixarem, poder estar naquele lugar, contemplar suas belezas, poder fotografar para depois compartilhar a experiência com os amigos, tudo gerava em mim um misto de ansiedade e euforia.

A noite foi difícil, de tempo em tempo o convés do Voyager em seus 60 pés era lavado de proa à popa. Na madrugada, em um dos turnos que eu estava no leme, Mestre Djalma me diz: - "Gaúcho, estas ondas do buraco até o topete tem uns 4 metros".

Amanheceu, eu quase não dormi... O mar batido, os turnos e a ansiedade me tiraram o sono. Marta dormiu ou tentou dormir no salão, estou muito orgulhoso de minha "almiranta", navegar 500MN em um mar que não estava para brincadeira, cozinhando, lavando louça e organizando o barco, com certeza são tarefas para velejadores safos, conheci poucos que as cumprem sem desmoronar na inclemência do enjôo, mareados.

Em pé junto ao leme, consigo ver na linha do horizonte o que parece ser a torre do farol. Vida longa ao GPS! - Ilha na proa!...Grito. No mesmo instante, a pequena tripulação do Voyager se agita. Procuro pelo convés uma melhor posição para avistar o destino de nossa viagem. Para mim é um momento muito especial, o primeiro contato visual com a ilha há muito sonhada. Lentamente, os poucos contornos do atol vão se mostrando... Uma quase imperceptível ilha branca entre a imensidão azul do oceano aberto e o céu. Ver a terra surgir na água é uma das maiores emoções das longas velejadas. Depois do impacto da primeira impressão, embaçada pela distância, a paisagem vai tomando contornos nítidos, aos poucos, no ritmo ditado pelo vento. A imagem do lugar sonhado, criada previamente no inconsciente, funde-se lentamente com o cenário real que cresce diante dos olhos. É como um encontro entre sonho e realidade.

Emílio e Nico atentos ao VHF... Ouviram uma conversa entre a base do IBAMA na ilha e um outro veleiro. Notei pelo olhar e a expressão de ambos que aquilo não era bom sinal. Nico agora no leme, pede: "Fernando, da uma olhada e vê se consegue encontrar o outro veleiro". Saio apressado pelo convés cambaleante, mais uma vez em busca da melhor posição para agora avistar o outro veleiro. Uma breve vasculhada no horizonte à proa, e lá estava o mastro, denunciando a presença e a posição do barco que a pouco ouvíramos se comunicando com o atol via VHF. Ares de preocupação e desânimo tomam conta dos rostos de Emílio e Nico. A preocupação fazia sentido, pois se com um barco já era tarefa difícil obter autorização para visita ao atol, com dois a tarefa tornava-se especialmente "delicada".

Mestre Djalma assiste a tudo impassível, calmo; de fala mansa; e por vezes se expressando num tom quase inaudível... Sugere: "Emílio, pega o rádio e chama logo a Zélia, se for pra desembarca nós vamo se não... Toca pra Natal logo".

E assim foi, Emílio respira fundo; pega o rádio; chama o atol e em seguida se identifica; alguns segundos se passam e uma voz feminina invade o ar, era a Zélinha dando as boas vindas ao Voyager e sua tripulação. Era a senha... Como num passe de mágica; agora Emílio e Nico estavam sorrindo e relaxados. Eles sabiam que mesmo conhecendo Zélinha há muitos anos, e com toda a papelada em dia, nós só iríamos desembarcar no atol se a "xerifa" desse permissão. Ela é, literalmente a dona do pedaço. Não é brincadeira!... Não é, não. Bater de frente com a Zélinha, é por tudo a perder... A ida a Noronha e as mais de dez horas navegando em um mar bem batido.

Zélinha colocou seu inflável de cor laranja no mar, e na companhia de outro pesquisador o "Magrão" veio ao encontro do Voyager. Ela é uma espécie de guardiã da reserva. Funcionária de carreira do IBAMA, bióloga apaixonada pelo Projeto Atol das Rocas, Maurizélia de Brito Silva (não a chame nunca pelo nome de batismo, ela não gosta) é desses profissionais que aparecem muito raramente, principalmente quando se trata de ecologia, meio ambiente e órgãos federais. Apesar de sua aparente fragilidade - ela mede pouco mais de 1,60 metro e deve pesar uns 45 kilos -, Zélinha é dona de uma força interior impressionante. Zélinha vive para o atol, e o atol sobrevive por causa dela. Entender-se bem com a Zélinha é a garantia de uma estada segura e agradável.

Zélinha e Magrão encostaram o bote laranja no Voyager, e depois de feitas as devidas apresentações, Emílio com sua simpatia e conhecendo Zélinha a anos, felizmente quebrou a formalidade e o gelo. Nico, Emílio e Zélinha agora falam ao mesmo tempo... Tentam colocar os assuntos em dia, matar as saudades e curiosidades. Foram trinta minutos, talvez mais, talvez menos, de sala, salamaleques, rapapés e bajulações. E eu ali, vendo a praia pertinho, louco para estar lá.

Então, Zélinha resolve ficar a bordo do Voyager para continuar o "conversê", mas antes incumbe Magrão de nos acompanhar em um "Atoltur porreta". Enquanto nos preparávamos para o desembarque, sim, ali tem que haver uma preparação no mínimo cautelosa. Equipamentos fotográficos e eletrônicos devem ser ensacados, é recomendável que a roupa do corpo seja de banho porque o banho é cortesia de Rocas...Emílio pergunta: "Zélinha o que é que vocês estão precisando?" Para minha surpresa, a resposta de Zélinha foi imediata: "Coca-Cola". No mesmo instante, Emílio pega uma caixa plástica, abre um paiol logo abaixo de nossos pés e começa a tirar vários litros daquele líquido agora tão precioso. Em seguida, carregando a caixa plástica vai até os freezers e também visita as geladeiras, (o Voyager esta equipado com 03 geladeiras e 02 freezers), no final a caixa esta abarrotada de mantimentos diversos para a equipe do atol. A tripulação do Voyager, além dos mantimentos doou também para a equipe do atol um galão de combustível.

Tudo e todos acomodados no bote laranja... Magrão acelera em direção a pequena passagem existente no anel de recifes, passagem que é vencida com cuidado e conduz na maré alta há uma enorme laguna de águas cristalinas. Por alguns segundos, ficamos hipnotizados com a cor do mar simplesmente fantástica. Encalhamos o bote laranja na praia, e meio molhados, finalmente pisamos nas areias do Atol das Rocas. E aí a primeira surpresa, Magrão com ar de sabichão explica que as areias de Rocas, não são areias. De um branco característico, as "areias" do Atol das Rocas são classificadas como falsas, pois derivam apenas do calcário moído de incontáveis fragmentos de conchas, ossos de aves, de peixes e de detritos vegetais (esqueletos de seres chamados vermetos), que ocuparam as rochas vulcânicas, estabilizando a faixa de recifes emersa, geralmente na forma de um círculo ou semicírculo, com uma laguna no meio. Em rocas, as areias acumularam-se em duas faixas, em forma de anel aberto, compondo a Ilha do Farol e a Ilha do Cemitério. Magrão completa dizendo que: Na maré alta, apenas as duas ilhas ficam emersas. Já na maré baixa surgem na área interior do atol várias piscinas naturais, de tamanhos e profundidades variadas, que funcionam como berçários para diversas espécies marinhas.

Caminhamos pela paradisíaca praia em direção a uma casinha de madeira, abrigo das equipes de quatro pessoas que se revezam na tarefa de cuidar de um dos principais refúgios da vida marinha no Atlântico. Magrão nos apresenta a mais dois colegas da equipe, Gisele e Marcelo, recebemos dos três uma montanha de informações sobre o Atol das Rocas; curiosidades, histórias, lendas, fauna, flora, geologia, meteorologia, projetos e pesquisas. Estas informações, achei melhor dividir em 03 partes e publicar separadamente... Vocês vão encontrar tudo nas postagens a seguir.

Continuamos nossa caminhada por esta pequena ilha da fantasia, aqui estão os poucos sinais da presença humana no local, as ruínas de um farol para onde nos dirigimos agora, seis coqueiros repletos de Atobás e a pequena casinha, símbolo da frágil presença humana neste ponto isolado do oceano. O cenário é deslumbrante, montado com cuidado rigoroso nos detalhes, composto por ninhais, animais únicos, uma praia com coqueiros, uma laguna verde esmeralda, tudo dominado pelo mar cristalino e soberano. Marta e eu, fizemos dezenas de fotografias. Tentamos registrar tudo, difícil é registrar as sensações que nos invadem aqui. Entre nossas fotos de Rocas, muitas imagens tentam transmitir estas emoções, mas só chegando até aqui para senti-las verdadeiramente.

Em Rocas, sentimos uma energia surpreendente, talvez resultante de um mundo pouco explorado pelo homem. Pequena ilha Brasileira de natureza real e quase intacta, fantástico mundo azul, fantástico "Planeta Água".

"Nos sentimos náufragos voluntários, mas ao mesmo tempo, estávamos profundamente felizes por estar no atol".

Fontes:

Instituto Aqualung, Equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, Ibama - RN., National Geographic Brasil - Sites: Luciano Candisani, História do Mar e Wikipédia.

Leitura sugerida:

  • Brasil Aventura - Ilhas / Ana Augusta Rocha e Roberto Linsker
  • Atol das Rocas / Luciano Candisani
  • Na terra No céu No mar / Luciano Huck e Rodrigo Cebrian

sábado, 6 de dezembro de 2008

Rocas, o Único Atol do Atlântico Sul - II

Os atóis, são ilhas formadas pelo crescimento de recifes ao redor do cume de vulcões submersos, se concentram principalmente nos oceanos Pacífico e Índico. O Atol das Rocas é o único existente no Atlântico Sul, onde representa um importante e maravilhoso refúgio ecológico, protegido e isolado em alto mar, considerado pela UNESCO como patrimônio natural da humanidade. É um lugar de difícil acesso para os homens e um dos poucos recantos do planeta ainda regidos apenas pelas leis da natureza.

Atol significa uma formação de recifes de coral em forma de anel, enquanto rocas, termo proveniente do espanhol, quer dizer rochas ou pedras. Como o próprio nome já diz, o Atol das Rocas não é uma ilha comum. Ele é resultado da luta e resistência constantes de minúsculas algas calcárias, corais e moluscos que formam e habitam o anel de recifes existentes sobre o topo de uma montanha submarina de origem vulcânica. Rocas, é o cume desta imensa montanha, cuja base se perde nas profundezas do Atlântico Sul.

O Atol das Rocas, localizado em mar territorial brasileiro, 03°51,500' S (Sul) 33°49,067' W (Oeste), esta distante 145 MN (milhas náuticas) à ENE (Leste/Nordeste) da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte e distante 81 MN à W do Arquipélago de Fernando de Noronha. Rocas, esta entre um dos menores atóis do planeta, composto por duas ilhas que pertencem ao Estado do Rio Grande do Norte, sua área compreende 360 km² incluindo o atol e as águas que o circundam, tudo área da Rebio (Reserva Biológica do Atol das Rocas, que é uma área delimitada para abrigar espécies vegetais e animais cujo valor científico e educativo restringe o acesso apenas a atividades de pesquisa e fiscalização). Rocas é a primeira Reserva Biológica Marinha do Brasil, criada em 05 de Junho de 1979, pelo Decreto Lei n° 83.549. As ilhas que compõem o atol se chamam Ilha do Farol e Ilha do Cemitério; a dimensão da Ilha do Farol é de 34.637 m², possuindo cerca de 1 Km de comprimento por 400 metros de largura. A Ilha do Cemitério por sua vez, possui 31.513 m², medindo aproximadamente 600 metros de comprimento por 150 de largura. As duas ilhas tem cerca de 03 metros de altura acima da preamar (nível máximo de uma maré cheia), sendo avistadas a aproximadamente 10 MN, dependendo da direção de aproximação do Atol das Rocas.

As correntes predominantes em Rocas são do rumo Equatorial Sul, com velocidade variando de 1 a 2 nós de velocidade. Seus maiores volumes e velocidades são observados em Abril e Junho. Nos meses de Maio e Setembro as correntes são incertas e de Setembro à Março podem se tornar fracas e às vezes insignificantes. A temperatura da água em profundidades superiores a 2 metros varia de 27 a 28,5 °C. A visibilidade varia de 25 a 40 metros. O clima é equatorial, com ventos alísios vindo do Sudeste e temperatura média de 26°C, sendo Agosto o mês mais quente, Outubro o mais seco e a época de chuvas de Março a Julho. De acordo com os dados da Marinha do Brasil, o período de chuvas do Atol das Rocas é semelhante ao de Fernando de Noronha, chegando a 250 mm no mês de abril e 6 mm no mês de Outubro.

Com a forma de uma elipse quase circular, esse antigo topo de vulcão funciona hoje como um enorme berçário para diversas espécies. Todos os anos, milhares de aves e centenas de Tartarugas-verdes retornam à Rocas para desovar. O local também é área de abrigo e alimentação da Tartaruga-de-pente. Ao lado do Arquipélago de Fernando de Noronha, o Atol das Rocas é considerado uma das áreas mais importantes para a reprodução de aves marinhas tropicais do País, abrigando pelo menos 150 mil aves, de quase 30 espécies diferentes. Atualmente, no pequeno território, vivem, o ano todo, cinco espécies de aves residentes: duas de Atobás, uma de Trinta-réis ou Andorinha do mar e duas de Viuvinhas, os Atobás de patas vermelhas e Fragatas vem de Fernando de Noronha para pescar. Além delas, 25 espécies migratórias fazem de Rocas um porto permanente. Passam por ali espécies originárias da Venezuela, da África e até Maçaricos provenientes da Sibéria. Até o momento, nenhuma espécie potencialmente predadora foi catalogada no Atol das Rocas, embora, ratos, baratas, escorpiões e outras pragas se proliferem por lá. Herança dos vários naufrágios ocorridos na área.

O atol é também o paraíso de muitas espécies aquáticas. Por se tratar de uma montanha isolada, em meio a mares profundos e afastados da costa, ele é ideal para peixes de todos os tamanhos, moluscos, algas, crustáceos e tartarugas. Quase cem espécies de algas, 44 de moluscos, 34 de esponjas, 7 de corais e duas de tartarugas já foram ali identificadas. Entre as 24 espécies de crustáceos, destacam-se o Caranguejo-terrestre e o Aratu (foto abaixo), que somente habitam ilhas oceânicas.

Em Rocas, foram ainda catalogadas quase 150 espécies de peixes diferentes, entre Sargos, Garoupas e Xaréus. Mas apenas duas dessas espécies, Gudião ou Budião e a Donzela são exclusivas da região, que abrange o Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha, o Tubarão-limão, uma espécie rara em Rocas tem motivado estudos de vários cientistas brasileiros e estrangeiros, a espécie passa o início da vida em cardumes, na laguna e nas piscinas do atol.

Fontes:

Instituto Aqualung, Equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, Ibama - RN.

National Geographic Brasil

Sites: Luciano Candisani, História do Mar e Wikipédia.

Leitura Sugerida:

  • Brasil Aventura - Ilhas / Ana Augusta Rocha e Roberto Linsker
  • Atol das Rocas /LucianoCandisani
  • Na terra No céu No mar / Luciano Huck e Rodrigo Cebrian
  • Peixes Marinhos do Brasil / Marcelo Szpilman

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Histórias do Farol & Faroleiros de Rocas - III

Um pedido de instalação de um farol na ilha principal das Rocas, foi feito desde o ano de 1852 pelos comandantes estrangeiros Lee, Parish, Selwyn e pelos brasileiros Vital de Oliveira e Alves Nogueira, como indispensável para a segurança da navegação naquelas ermas paragens, pois pela baixa altitude das Rocas e na falta de uma luz, os naufrágios ali eram freqüentes, mas não tanto quanto vieram afirmar vários autores.

Só em 1881, o capitão-tenente Honorário J. M. da Conceição Júnior, foi incumbido de ali montar um farol. Auxiliou os trabalhos, o coronel de engenharia João de S. Melo e Alvim, para fazer o estudo do local e a verificação da possibilidade da instalação do aparelho luminoso encomendado à França. Melo e Alvim fez sondagens para exame do recife, sondagens estas que atingiram a seis metros de profundidade na atual ilha do Farol, encontrando sempre muita dificuldade e em alguns furos resistência quase que absoluta. A perfuração era feita com ponta aguda de aço temperado, sobrecarregada com um peso de 115 quilos, havendo ocasiões de só haver penetração de um centímetro por hora, tendo-se partido o aparelho por duas vezes.

Feito o estudo dos recifes, concluiu Melo e Alvim, não ser conveniente a colocação do farol encomendado, em razão de suas grandes proporções e de sua impropriedade naquele local, pois o mesmo - julgava ele - não tinha a base suficiente para resistir à resultante dos fortes e constantes ventos da região. O farol então veio a ser aproveitado para Santo Agostinho, em Pernambuco, e nas Rocas foi instalado provisoriamente uma luz fixa, no tope de um mastro de madeira, com 14 metros de altura, inaugurada no dia primeiro de janeiro de 1883. Mas em 1884 esse mastro veio a ser substituído, devido ao seu péssimo estado de conservação. Quando se decidiu por esta mudança já tinham sido iniciadas algumas obras; ou seja, estavam construídas: uma larga base de alvenaria, com uma altura de 1,1 metros; a casa dos faroleiros por acabar; depósito de água com capacidade para 20 pipas e 4 galpões para guardar materiais. Tudo isto foi feito debaixo de grandes dificuldades, principalmente durante o transporte do material do navio para a ilha. Os homens passaram por muitos riscos de não só perder o que transportavam, mas as próprias vidas.Assim, se ocuparam em 35 dias de trabalho áspero e perigoso. Para a construção das casas dos faroleiros e do farol pediram 600 toneladas de pedra, 200 de areia e 700 barricas de cimento. Este material parece não ter sido todo desembarcado e nem fornecido, por não ter sido construído o farol antes para ali planejado.

No relatório de 1883, o Ministro da Marinha concluiu que nas Rocas se devia levantar uma torre de alvenaria, a qual era a estrutura mais apropriada para aquela localidade. No entanto, só em 1935 foi construído um farol de cimento armado.Em 1887, a bordo do Purús seguiu pessoal e material para concluir as obras das casas dos faroleiros. Em 1890, o almirante francês Mouchez se referia a elas, comentando que tinham dois pavimentos, de paredes cinzentas e teto de telhas vermelhas. E que a casa e o depósito que se encontravam ao lado eram os primeiros objetos que se percebiam por quem navegava ao largo, numa distância de 5 milhas.

Em 1892, foi feita uma encomenda para uma empresa de Paris, de um farol de terceira ordem, tendo este chegado no ano seguinte, ficando depositado em Pernambuco. Em 1906 foi feito outro orçamento para a construção definitiva do foral nas Rocas, porém, em 1908, o Almirante Jaceguai, resolveu montá-lo na ilha Rata, em Fernando de Noronha, e entregou ao Estado de Pernambuco um verba destinada para colocar um poste de luz nas Rocas. Este aparelho foi inaugurado em 8 de dezembro de 1908, consistindo numa armação de ferro, ao noroeste do Atol da Rocas, exibindo luz branca e ficava a 18,5 metros acima do nível do mar. Em 6 de outubro de 1914 foi o farol transformado em automático, sistema AGA.

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Em 1935, ficou resolvida a construção de um farol nas Rocas de cimento armado. Para isso foram empregadas cinco toneladas de vergalhões, 20 metros cúbicos de areia e cerca de 100 sacos de cimento. E no dia 20 de agosto de 1935 foi inaugurado o farol das Rocas. Hoje a torre de alvenaria se encontra em ruínas.Foi desativado em 1969, estando em ruínas juntamente com a casa do faroleiro e a cisterna que acondicionava água potável.

Em 1967, foi inaugurado o farol que permanece em atividade até hoje. É constituído por armação quadrangular metálica, pintada de branco, refletor radar, altura de 14 metros e altitude do foco de 18 metros, com válvula solar e carga de gás acetileno com 12 acumuladores, latitude 03º 51' 42" S e longitude 33º 49' 16" W, alcance luminoso de 13 milhas. Em 1986 o farol foi eletrificado, com a substituição de acumuladores por baterias, instalação de painel solar e troca da lanterna.

Os faroleiros do Atol das Rocas

Até 1914 quando transformaram o farol das Rocas em automático, foram inúmeros os faroleiros que lá trabalharam e isto, desde o dia primeiro de janeiro de 1883. Decerto alguns deles entraram para a história. Mas infelizmente seus dramas estão espalhados em vários documentos. Entretanto se consegue arrolar alguns fatos de relativa importância que envolveram alguns daqueles anônimos faroleiros - de vida modesta , que sob o sol, a chuva, o frio, nada os fazia esmorecer em seu labor de vigília noturna. Quem visitava o farol das Rocas naquela época - isolado no meio do oceano - conseguia avaliar a maneira sofrida de viver de seus heróicos faroleiros e daqueles que os acompanhavam, ou seja, as suas famílias.

E, realmente, Rocas parece ter uma aura de dificuldade ao seu redor. Em 1887, foi ali construída uma casa para um faroleiro e sua família. Conta-se, com voz baixa e consternada, que um certo dia, a pequena filha do casal, sem saber o que fazia, deixou a torneira do reservatório de água potável aberta, até que não houvesse uma gota. Desesperado, o faroleiro teria colocado fogo na casa, na esperança de chamar a atenção de algum navio. O que de fato conseguiu, após muitos dias, quando toda a sua família já havia morrido. Ele estava vivo por ter tomado o sangue de pássaros, mas não resistiu à viagem, morrendo antes de chegar ao continente.

Em 14 de outubro de 1904, o faroleiro Gregório Vitoriano de Castro, faleceu nas Rocas, sendo sepultado na ilha que batizaram de Cemitério. Nas Rocas existe apenas duas ilhas e certamente o batismo dado aquela ilha proveio do fato de que era ali que se enterrava os mortos dos naufrágios. Também nas Rocas viera a falecer, a esposa do faroleiro Antônio Augusto da Câmara; contudo ela não foi sepultada na Ilha do Cemitério e sim, próximo ao único coqueiro existente na Ilha do Farol naquela época.

Encontra-se registrado que o faroleiro João da Silva Saraiva que residiu nas Rocas por cerca de oito anos, veio certa vez, sofrer as agruras da falta d’água, com o seus três filhos que lá nasceram, uma vez que o navio de abastecimento demorou em chegar. Mas João da Silva, procurou todos os meios de obter socorro, entre os quais, o de lançar garrafas contendo no interior, mensagens escritas, explicando o que lhe vinha acontecendo. Porém ao mesmo tempo, tentava conseguir água para beber, fervendo a do mar numa vasilha, da qual fazia de tampa um chapéu, cujo pano se impregnava de vapor d’água que se condensava em pequenas gotas. Consta que as garrafas foram dar à costa e o navio encarregado do abastecimento chegou ainda a tempo de terminar com o sofrimento do faroleiro e de sua família.

Outro que sofreu com a falta de recursos, foi o faroleiro Virgílio Francisco Ramos, isto em abril de 1913. Achava-se ele com a família quando o navio que fazia o serviço de abastecimento, de dois em dois meses, atrasou-se.Mas antes disso, Virgílio e sua família tiveram que lançar mão de peixes e ovos de pássaros, os quais foram os alimentos nos primeiros quinze dias. Contudo, passando este tempo, os seus organismos se ressentiram e iniciou-se para eles um novo período de angustia. Felizmente, um navio inglês, que passando ao largo, foi contactado por Virgílio através de sinais, ao hastear as bandeiras do Código Internacional de Sinais, solicitando socorro. O navio então rumou em direção das Rocas, onde veio fornecer-lhe carne em conserva, arroz e açúcar. O faroleiro entregou ao capitão inglês, uma carta endereçada as autoridades de terra, pedindo imediata providência. Logo o navio da Marinha Benjamim Constant, transportou para as Rocas, os víveres que o faroleiro e sua família tanto necessitavam. A história conta, que esta teria sido a última família a morar ali, e que resolveram voltar para Noronha, quando da automatização do farol. Nascidas e criadas nas Rocas, as duas filhas do faroleiro morreram ao chegar em Noronha. Por terem sido criadas ali, não haviam desenvolvido nenhuma imunidade as doenças.

Um ano depois, precisamente em 6 de outubro de 1914 foi o farol das Rocas transformado em automático, dando término aos labores e sacrifícios impostos aos faroleiros e suas famílias, em um lugar marcado por tão grande isolamento e tragédias marítimas. Atualmente ainda se pode ver as ruínas da antiga casa dos faroleiros.

Fontes:

Instituto Aqualung, Equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, Ibama - RN.

National Geographic Brasil

Sites: Luciano Candisani, História do Mar e Wikipédia.

Leitura Sugerida:

  • Brasil Aventura - Ilhas / Ana Augusta Rocha e Roberto Linsker
  • Atol das Rocas / Luciano Candisani
  • Na terra No céu No mar / Luciano Huck e Rodrigo Cebrian

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Naufrágios no Atol das Rocas - IV

Por ficar tão pouco acima do nível do mar, o Atol das Rocas é uma grande armadilha para os navegadores, que simplesmente não o vêem. Como Rocas não tem água potável, tampouco vegetação para fazer sombra, não fica difícil imaginar o por que de uma das duas ilhotas chamar-se Cemitério.

Os naufrágios são parte da história do Atol das Rocas. Os primeiros relatos de naufrágios ocorridos nos recifes de Rocas são do começo do século XIX, mas sabe-se que Rocas despedaça navios muito antes disso.

A primeira citação do Atol das Rocas, em carta náutica, foi publicada em 1502 por Alberto Cantino, representado sob a forma de mancha a Oeste da ilha de Quaresma (hoje conhecida como Fernando de Noronha).

A história dos homens no Atol das Rocas é pontuada por lendas, naufrágios, mortes e até fantasmas. Não há registros claros de quem descobriu essas terras perdidas, talvez porque o descobridor tenha também ido ao fundo. Alguns autores atribuem a descoberta a Gonçalo Coelho, em 1503, na mesma expedição em que ele descobriu Fernando de Noronha. O que se sabe, com certeza, é que os navegadores do século XVI já temiam seus recifes rasos.

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Apesar de tal temor generalizado, persistente mesmo depois de iniciada a era dos barcos e navios a motor, a localização precisa e o registro das coordenadas exatas do Atol das Rocas, nas cartas de navegação, só aconteceu neste século, em 1957, o Ano Geofísico Internacional. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, o atol manteve centenas de comandantes de olhos abertos, noite e dia, durante a travessia entre a costa brasileira e o arquipélago de Fernando de Noronha. Mesmo atentos ao menor sinal de espuma, muitos deles foram enganados pelas miragens - de mar agitado com cansaço, de brumas espessas com sono - e acordaram tarde demais, quando os cascos já faziam água.

Além dos problemas com a visibilidade, boa parte dos acidentes é atribuída às correntes marítimas. Os barcos provenientes da costa africana e da Europa, sobretudo veleiros, são empurrados pela corrente Sul Equatorial direto para os recifes, que circundam toda a ilha. A corrente é mais forte no fim de setembro/início de outubro e fim de março/início de abril, quando os ventos alísios de sudeste e noroeste convergem sobre a linha do Equador. A corrente atinge, então, velocidades de até 1,5 a 2 nós. Muitos dos naufrágios aconteceram nestes períodos. Entre 1803 e 1890, a história registrou seis grandes naufrágios de navios. Quatro deles ocorreram em outubro, um em março.

O naufrágio mais famoso desta época foi o do Duncan Dunbar, navio inglês com 117 tripulantes e passageiros a bordo, a maioria emigrantes saídos de Plymouth, Inglaterra, com destino a Sidney, na Austrália. O Duncan Dubar alcançou a corrente equatorial ao desviar das calmarias. Acabou com o leme destruído e um enorme rombo no casco, na noite de 7 de outubro de 1865, ao se chocar contra os recifes do Atol. Homens, mulheres e crianças só abandonaram o navio na manhã seguinte, quando a fúria das ondas já havia destruído também parte do costado. Apinhados nos escaleres, atravessaram milagrosamente ilesos a arrebentação e desembarcaram na areia, onde permaneceram 10 dias. O resgate só aconteceu graças a um gesto heróico do comandante, capitão Swanson, que deixou o Atol num escaler com mais seis de seus marinheiros, para seguir rumo à costa brasileira. Em cinco dias, eles chegaram ao litoral pernambucano e tiveram a sorte de encontrar outro navio inglês, o Oneida. Arriscando afundar por superlotação, o Oneida embarcou todos os náufragos - arruinados, mas vivos - e com eles empreendeu a longa jornada de volta à Inglaterra, sem novos incidentes.

Em 1883, a instalação do primeiro farol reduziu o medo dos navegantes, mas deu asas às lendas de morte, nascidas da solidão dos faroleiros. Uma das línguas de areia ganhou o nome de Ilha do Cemitério, porque ali foram enterrados os faroleiros, seus familiares e os náufragos. A ausência de fontes de água doce colocava a vida dos faroleiros na precária dependência do abastecimento do continente ou na esperança de chuvas para encher as cisternas. Na virada do século, mulher e filhos de um dos faroleiros teriam morrido de sede, porque uma das crianças deixou a torneira da cisterna aberta até secar. O faroleiro, desesperado, tocou fogo na casa, para ver se atraía algum navio, mas o socorro chegou tarde e só ele sobreviveu. Conta ainda a lenda que as almas da mulher e das crianças estariam presas à ilha de sua desgraça e, à noite, assombram os visitantes, pedindo água.

As luzes dos faróis - tanto o tradicional como o automático - diminuíram os naufrágios, mas não os eliminaram. Ainda hoje o recifes traem a atenção dos timoneiros e interrompem bruscamente os sonhos de viagem. Em 26 de junho de 1979, naufragou o Mon Ami, um veleiro de 13 metros e dois mastros. Seus tripulantes, três sul africanos e uma australiana, passaram 21 dias num acampamento improvisado no Atol, dividindo as provisões do seu veleiro e a água da chuva com ratos, camundongos, escorpiões e baratas. Involuntariamente introduzidos pelo homem em Rocas, esses típicos representantes da fauna urbana alimentam-se de plantas rasteiras e restos de comida, abandonados pelos pássaros e visitantes humanos, que, como os seres irracionais, também espalham lixo em torno da própria casa, mesmo sendo esta uma barraca temporária em meio a uma paisagem paradisíaca. O lixo dos navios e dos naufrágios, também chega às praias de Rocas e garante vida farta aos animais especialistas em detritos.

No naufrágio do Mon Ami, a tripulante australiana - Eunice Toussaint - relata o terror de acordar com um camundongo enroscado nos cabelos e a batalha contra os ratos e escorpiões, um dos quais mordeu o sul africano Dorrier Kewon. Às vezes, segundo o diário, também as aves vinham remexer a comida dos náufragos, na esperança de safarem-se da pesca diária. Apesar dos insistentes sinais de socorro pelo rádio, dos salva-vidas jogados ao mar com pedidos de ajuda, dos acenos dirigidos a um avião no oitavo dia, os náufragos do Mon Ami só foram resgatados no dia 16 de julho por uma corveta da Marinha brasileira, após a passagem de mais um avião e da comunicação via rádio com um petroleiro norueguês, visível no horizonte. O petroleiro retransmitiu o pedido de socorro à Marinha, que estava fora do alcance do rádio dos náufragos.

Em 1982, mais um veleiro, o Taurus, de 12 metros, fez água nos recifes do Atol das Rocas, obrigando quatro franceses a uma estadia forçada de uma semana na Ilha do Farol. Eles fizeram uma tenda com a vela do barco e queimaram o resto dos panos e madeira. As fogueiras foram vistas por pilotos da Força Aérea Brasileira, no retorno de Fernando de Noronha, e o resgate dos náufragos ocorreu no dia seguinte, por uma corveta da Marinha.

A partir dos anos 90, os candidatos a Crusoé puderam dispensar as velas e ter abrigo certo em duas casas de madeira pré-fabricadas, instaladas ao lado das ruínas do antigo farol, para as equipes de voluntários, no revezamento de fiscalização do Ibama. A preocupação maior dessas equipes é com a ousadia crescente dos pesqueiros industriais nas águas de pesca proibida, além de eventuais vazamentos de diesel e outros poluentes, às vezes trazidos de alto-mar pelas correntes. A ameaça nuclear parece afastada - pelo menos a intenção absurda de enterrar lixo atômico ali, cogitada por autoridades governamentais em 1982 - mas nunca há uma garantia total, com a manutenção das usinas nucleares de Angra dos Reis e a produção de um lixo ainda sem destino. Como se vê, apesar dos fantasmas e do terror, que se tornou sinônimo do Atol para tantos navegadores do passado, o que realmente ainda assombra suas praias é o comportamento do bicho-homem.

Registros de Naufrágios no Atol das Rocas

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1805 - Quase se perdeu em Rocas toda uma esquadra inglesa que se dirigia para a Índia. Bateram nos recifes e naufragaram o "BRITÂNIA" e o transporte "KING GEORGE".

1855 - "COUNTESS OF ZETLAND", barca inglesa que carregava algodão em Maceió-AL e açúcar em Recife-PE.

1856 - O "TRUE TRISTON", sob o comando do Capitão REYNELL experimentou um desembarque nas Rocas para averiguar sinais que pareciam e que de fato eram de sobreviventes de um naufrágio.

1860 - Galera francesa "ÏMPERATRICE DU BRÉSIL", que fazia a linha Havre - Rio de Janeiro.

1865 - A galera a vapor "DUNCAN DUNBAR", viajando de Londres para Sidney, arrebentou seu casco na parte noroeste da borda recifal. O Capitão Swanson navegou numa lancha durante oito dias até o porto do Recife com alguns marinheiros. 117 pessoas e a guarnição conseguiram se abrigar milagrosamente na Ilha do Farol. O paquete "ONEIDA" que ia para Europa, recuperou de passagem os náufragos das Rocas.

1870 - A embarcação "MERCURIUS" bateu no anel recifal e se desconjuntou. Dos 22 homens, apenas 06 sobreviveram. Foram salvos pelo Capitão Cuthbertson, da embarcação "SILVER CRAIG", após 51 dias de desespero.

1871 - O Capitão de Fragata Alves Nogueira viu ainda restos de abrigo dos náufragos do "MERCURIUS". Contou os testemunhos de dezoito naufrágios nos baixios de Rocas. 1880 - O Comandante Antônio Coelho Ribeiro Roma, do cruzador "MEDUSA", relatou que o número de barcos sinistrados não parecera menos de dezenove.

1882 - O Coronel de Engenheiros João de Sousa Melo e Alvim apresentou um relatório ao Ministério da Marinha informando que: "só daqueles navios de que existem as peças principais ou as mais resistentes a ação das intempéries, contei com o Capitão-Tenente José Maria da Conceição Júnior, dezoito naufrágios".

1890 - JOQUERINA.

1979 - O Veleiro "MON AMI" de 42 pés bateu nos recifes, seus 04 tripulantes passaram 21 dias em um acampanhento improvisado no Atol das Rocas.

1982 - Barco pesqueiro PRODUMAR II, com 12 tripulantes.

1982 - O Veleiro "TAURUS" de 39 pés naufragou nos recifes, 04 franceses ficaram uma semana na ilha do Farol. Eles montaram uma tenda com a vela mestra do barco.

Fontes:

Instituto Aqualung, Equipe da Reserva Biológica do Atol das Rocas, Ibama - RN.

National Geographic Brasil

Sites: Luciano Candisani, História do Mar e Wikipédia.

Leitura Sugerida:

  • Brasil Aventura - Ilhas / Ana Augusta Rocha e Roberto Linsker
  • Atol das Rocas / Luciano Candisani
  • Na terra No céu No mar / Luciano Huck e Rodrigo Cebrian

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Desmistificando a navegação de cruzeiro

Desmistificando
Sérgio Amaro Gomes - Veleiro Fandango
Autor de - O Melhor Ano De Nossas Vidas
I
O melhor ano de nossas vidas - O livro
Uma maravilhosa história de vida; Sérgio e os filhos Jonas e Carol viajam a costa brasileira a bordo do veleiro Fandango, neste livro eles nos passam uma mensagem muito especial e emocionante...é sem dúvida um dos melhores livro que já li. Fernando Maciel

Para se fazer uma grande viagem de veleiro, precisamos de algumas coisas básicas: um barco grande, novo, extremamente robusto, caro e confortável; ter muito dinheiro; possuir todos os equipamentos eletrônicos existentes em dobro; ter um capitão que contabilize, ao menos, cem mil milhas navegadas, velho lobo do mar, que tenha enfrentado muitas tempestades (e, se ele está vivo, é porque resistiu à elas!). Se você acreditou em todas essas afirmações acima, começamos mal! Espero, na verdade, que você esteja me xingando pela ironia! Mas, eu gostaria de aproveitar a frase e analisar cada item dela, para desmistificar de vez a navegação de cruzeiro atual.

Vimos muitos veleiro novos, grandes, caros e confortáveis, ao longo de nossa viagem: praticamente todos parados nas marinas! Viajando, lembro apenas dois barcos que encaixo nessas características: o Kaká-Maumau e o Gabi, dois maravilhosos Dolphin's 46, os dois de Ilhabela. Os outros 99% dos barcos, com certeza, não tinham todas essas características, mas estavam viajando e realizando o sonho de seus proprietários. Alguns, e entre eles o Fandango, não tinham nenhuma dessas características! Mas seguiam, conhecendo novos portos, levando a bordo tripulações felizes e animadas.

Na verdade, o que um barco precisa é ser "marinheiro", ou seja, navegar bem. Deve ter um bom projeto de casco, estaiamento e velame. É recomendável ter cabos e comandos principais à mão e não deve obrigar sua tripulação a esforços excessivos. Mas, principalmente ter boa manutenção, sempre! Não da pintura, do verniz da madeira ou do piso brilhante da cabine. Nem daquele "lascado" na popa, tirado por outro barco ou pelo píer, que te fez arrancar os cabelos e brigar com um monte de gente!

As manutenções de estaiamento, com as trocas periódicas que ninguém lembra de fazer, do motor, da parte elétrica, casco, rabeta, eixo, hélice e válvulas que fecham as aberturas no casco, são as primordiais e não podem ser ignoradas.

Quanto ao tamanho do barco, eu acho que o tamanho certo é o menor possível, para acomodar bem a tripulação que mora efetivamente a bordo. Amigos, parentes e filhos que irão te visitar? Sempre se aperta um pouquinho na hora que precisar ou, se necessário, aluga-se um quarto numa pousada, pois existem em quase toda a costa. Viver em um barco muito grande com pouca tripulação, acaba sendo caro em marinas e dá mais trabalho para manter, diminuindo seu tempo e dinheiro para aproveitar os lugares por onde está passando.

Ah, você reparou que eu deixei o item "robustez" de lado! Deixei-o propositalmente, pois este é o "mais relativo" de todos. Robustez, de certa forma, implica em segurança. Agora, imagine você comprar um tanque de guerra para ir de São Paulo ao Rio de Janeiro pela Via Dutra. Imaginou? Você esta totalmente seguro, mas a viagem será lenta e horrível! O mesmo pode acontecer com um veleiro. O item "robustez" deve ser avaliado dependendo dos lugares por onde se pretende viajar.

Para conhecer o mundo "entre trópicos", seguindo a "estrada dos ventos", tão conhecida das grandes navegações, bons barcos de fibra são suficientes. Aliando-se conhecimentos de meteorologia e ferramentas para obter dados necessários para uma boa previsão de tempo, você e sua família estarão seguros e terão um casco de pouca manutenção.

Já disseram que dinheiro não é problema, é solução! Não concordo com essa afirmação, pois conheço muitas pessoas com dinheiro, que são escravos dele. Por outro lado, viajar sem estrutura financeira nenhuma, certamente vai lhe causar problemas. Essa inconsequência pode fazer um sonho virar um grande pesadelo!

O lado bom é que não se precisa de muito dinheiro para viajar. Nossa despesa mensal girava em torno de dois mil reais para os três. Comíamos fora, ficávamos em marinas e não nos privávamos de aproveitar e conhecer lugares. Ainda fizemos extravagâncias, comendo algumas vezes em restaurantes caros! Esse valor mensal não é difícil de ser obtido pela classe média, com aluguéis de imóveis, aplicações financeiras ou aposentadorias especiais. É importante ter uma renda mensal, que cubra suas despesas ou parte delas. Eventuais charteres ou trabalhos remunerados podem gerar recursos, mas não se pode contar com eles sempre.

Para os jovens ou solitários, que não tem como comprar um barco, mas desejam conhecer o mundo viajando, há uma boa opção: pegar caronas e servir como tripulantes de outros barcos, podendo até ser remunerados por isso. Para tanto, é conveniente ter boa educação, saber velejar, obedecer ordens, ser prestativo e, se possível, ter inglês fluente. Pode-se navegar o mundo todo assim! Basta estar nos lugares certos, nas épocas devidas. Deve-se, no entanto, saber escolher o barco e as pessoas com as quais vai navegar, fugindo de barcos em mau estado e tripulações ou comandantes "difíceis".

Eletrônicos são totalmente dispensáveis a bordo, já o provaram Joshua Slocum, Vito Dumas, Bernard Moitessier, Robin Knox-Johnston e outros grandes velejadores do passado. Mas, eles geram um grande conforto e segurança para a navegação, apesar de custarem caro. Na prática, existem aqueles que valem o investimento e que eu considero "opcionais obrigatórios". O mais conhecido e importante deles é o GPS. Usávamos o mais barato deles, portátil, que custa menos de R$ 400,00 e foi mais que suficiente. Tínhamos dois a bordo. A segurança que ele dá na navegação e na entrada de barras é incrível. Dica: nunca dispense as cartas náuticas em papel e nunca deixe de plotar ou anotar sua posição periodicamente. Se tudo falhar, você pode fazer a antiga navegação estimada (e não deixe de treiná-la!).

Outro, mais caro, mas que gera um conforto muito grande é o piloto automático. Quanto mais longo o trecho a ser percorrido, mais útil ele será. Ficávamos abrigados do sol, da chuva e do desconforto, e deixávamos nossos fiéis "motoristas", Jarbas e Alfredo, levando o Fandango mar afora. Eram tão importantes para nós, que tínhamos dois... e batizados! Um ecobatímetro, para medir profundidades, é importante em regiões rasas. Essses bastam. Não se necessita mais. Só devemos lembrar que eletrônicos geram conforto, mas são falíveis. Portanto, tenha sempre uma bússola e alidade a bordo. Confirme visualmente e nas cartas náuticas as posições que o GPS informa. Se for cruzar oceanos, leve sextante e tábuas de navegação. Confirme periodicamente o rumo real que o barco está seguindo. Confronte a profundidade informada com a existente na carta. Cuidado nunca é demais!

É navegando que se aprende! É muito bom ter velejadores experientes a bordo, mas, na falta desses, temos que continuar navegando. Se fossem necessárias milhares de milhas navegadas para se viajar com o próprio barco, nós ainda estaríamos em Ilhabela, sonhando em viajar. A tripulação do Cavalo Marinho não estaria agora no Caribe, aproveitando a bela região. Inteligente, Rodrigo, seu comandante, contratou e convidou tripulantes com mais experiência, aprendendo com eles enquanto viajavam. Ganhou experiência e está vivendo intensamente.

Um bom comandante de cruzeiro tem habilitação, sabe navegar sem eletrônicos e sabe velejar defensivamente, mantendo sempre uma área vélica compatível ao vento e distância razoável de obstáculos. Sabe, ainda, priorizar a segurança e equipar o barco com todos equipamentos obrigatórios e outros que achar necessário. E, principalmente, é cuidadoso e tem bom senso para decidir.

A habilitação é fácil de se conseguir. Existem excelentes cursos que, além de fornecerem conhecimentos para a habilitação, dão muitas informações sobre navegação em geral. Quanto mais se veleja e se navega, mais se aprende. Se possível, deve-se correr regatas, onde se aprende muito sobre manobras, regulagens e resistência de veleiros.

Atualmente, as boas previsões de tempo dão mais segurança à navegação. Mesmo sem sermos meteorologistas experientes, com algumas informações básicas e alguns endereços de sites de previsão, podemos ver facilmente se devemos sair ou não, ou para que direção necessitamos fugir. E precisamos lembrar sempre, que o "velho lobo do mar", que se vangloria de ter enfrentado uma tempestade, na verdade, deveria estar dando graças por ter escapado dela, pois uma das características de um bom comandante é não arriscar seu barco e sua tripulação.

Super barcos, muito dinheiro, alta tecnologia em eletrônicos, velhos lobos do mar enfrentando tempestades: removendo todos esses engodos que oprimem nosso desejo de sair velejando, ainda sobra muito! Sobram o homem, seu conhecimento e seu pequeno veleiro, respeitando seus limites e a natureza. Viagens maravilhosas, relacionamentos fantásticos e grandes aventuras podem se concretizar assim.

Parta! O mar é para todos e não é o monstro que muitos pintam, respeitados seus humores!

Mais informações: http://www.tresnomundo.com.br/ ou escreva para sergio@tresnomundo.com.br

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Valente Guerreiro no Rio de Janeiro

O valente repousando em uma poita do ICRJ - Enseada de Botafogo - RJ. No final da tarde ele mereceu um lugar na "piscina" onde foi possível ligarmos água e luz, fomos muito bem recebidos no ICRJ. Registramos aqui nossos sinceros agradecimentos. (Foto com efeito)

Alegria de blogueiro é ver seus posts comentados

Recebemos o nosso 2º comentário, foi do grande comandante João Daniel http://www.casadosextentitores.com.br/ - Veleiro Jodan / Clube dos Jangadeiros - POA - RS.
O João Daniel é nosso amigo de longa data, não lembro mais se nos conhecemos no Kartódromo de Tarumã em Viamão - RS. (esta é uma outra história que um dia conto...), ou foi no I.C.G. - Iate Clube Guaíba - POA - RS. O que importa mesmo é que o João Daniel é uma figura muito simpática e conhecida da vela gaúcha, ele também é o nosso 1º seguidor/tripulante da blogosfera.
Bons ventos ao João Daniel...Sempre com estrelas a barla.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Onde andam os Planetas ?

-Onde anda o Planeta ?
Pergunta muito frequente, que nos fazem por e-mail, telefone e pessoalmente.
Para aqueles que nos acompanham e ainda não sabem do paradeiro dos três Planetas ... Aqui vai a resposta:
  • Planeta Água I
  • Micro 19
Hoje esta em Maceió, a última notícia que temos chegou através do Comandante Ademir de Miranda "Gigante" - Veleiro Entre Pólos. Em sua passagem por Maceió em setembro/2007, encontrou nosso primeiro veleiro naquela cidade, bem cuidado e com o mesmo nome.
  • Planeta Água II
  • Delta 26


O Planeta Aguá mais conhecido, hoje esta em Vitória - ES. Depois de navegarmos de Porto Alegre até a capital capixaba, o nosso valente companheiro, despertou uma paixão arrebatadora em um sócio do Iate Clube do Espírito Santo. O Comandante Mário Keppen, não deixou o Planeta partir de Vitória. Nossa maior satisfação, é saber o quanto este veleiro é bem cuidado pelo seu novo comandante. Rebatizado de Sirius III, o Deltinha que navegou 3.000MN sob nosso comando, continua a todo pano. Bons ventos ao comandante Mário e ao Sirius III.
  • Planeta Água III
  • Delta 32
Nosso novo companheiro, esta em Angra dos Reis na Marina Porto Bracuhy. Depois de sairmos de Ilhabela, resolvemos passar um tempo na baía da Ilha Grande. O Ex NewPort, é um belo e confortável veleiro, rápido e seguro, é o novo cúmplice de nossas "andanças".

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Fora de ritmo e de forma

No final de semana que passou, dias 18 e 19 de Outubro de 2008. Fui convidado pelo grande amigo Ladislau Szabo, para correr uma regata. O XVIII Troféu Cayru de Vela de Oceano, organizado pelo Clube dos Jangadeiros de Porto Alegre - RS. O Barco, era o Kamikaze do comandante Hilton Piccolo, um Skipper 30 novo e rápido. Já no sábado, constatei sem muito esforço que estou fora de ritmo e fora de forma. Tive que me contentar em ficar na borda, olhava "abestalhado" aquelas máquinas de velejar trabalhando. Hilton, Ladislau, Fitti, Loco e Macabeça sabem o que fazer... Caça! Orça!... Sobe mais um, olha a rajada... Solta um pouquinho a genoa,... Repica a testa do grande,... Olha a bóia! Balão!...Balão! Solta um pouquinho o burro do grande...Jaibe! Jaibe no balão, Caça o barla. Putz! Após chuva, frio e uma regata longa com duração de 07:30h o Kamikaze foi o fita azul, mas o comandante ao invés de comemorar junto com a tripulação, profetizou: "-no tempo corrigido não seremos o 1°". Coisas da ORC que já conhecemos bem ... Mas a regra é clara ... "Ou não". No sábado a noite cheguei em casa "desmolido". Depois que vendemos o saudoso "Mutley", nosso vermelho e reluzente Skipper 21, eu não havia mais participado de regatas. Troquei as regatas por um longo cruzeiro, comecei a subir a costa com o Planeta Água, participei também de duas REFENO que estão mais para cruzeiros do que para regatas.
Enfim, existem muitas diferenças entre o velejador regateiro e o velejador cruzeirista. A maior delas esta no abdómen que no caso dos cruzeiristas e de "tanquinho" de guerra. No domingo, mais duas regatas curtas barla-sota ... Me senti um pouco mais a vontade, mas ainda muito longe do ritmo e da forma dos tempos do "Mutley". O bom e belo Kamikaze, ficou com a 6ª colocação ... Mas a regra é clara ... "Ou não".
Como consolo e recompensa para os tripulas, bastaram algumas Polares bem geladas.
Fernando Maciel

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Fantástico vídeo... Tempestade na Bretanha - Costa Francesa.

Neste incrível vídeo, nós homens do mar... Mais uma vez comprovamos a força e o humor do meio em que nos lançamos quase diariamente. O mar aqui, em uma demonstração de força descomunal parece que nos manda um aviso... Devemos então, refletir sobre nossa pequenez diante do oceano e com humildade respeitar seus domínios. "Fernando Maciel"

video

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O vento de Porão...Crédo!!

Nossa participação esta ano na XXª REFENO, foi muito diferente das demais, como anteriormente já havíamos comentado. Estamos fazendo parte da tripulação do catamarã Voyager de 60 pés (foto). É nossa sétima visita a Noronha, cinco delas participando da regata...Sempre velejando... Este ano foi realmente diferente. Logo após a partida constatamos que o piloto automático não funcionava. No governo da embarcação, nosso comandante Emílio Russel reclama que o Voyager leva muito tempo para responder ao comando do Leme.
Emílio é um comandante muito experiente. Para vocês terem uma idéia ele é o único velejador que participou de todas as edições da REFENO, ou seja, 20 vezes. Ele diz que foram 44 travessias do Recife a Fernando de Noronha, num total de 13.000 MN. Só neste trecho. Cinquentão com ar bonachão, Emílio é o tipo de sujeito que faz amigos facilmente.
Voltando ao leme... Após o comandante reclamar da demora de resposta da embarcação aos movimentos do leme, Nico, o 1° na hierarquia a bordo logo após o comandante, confessa:
-Emílio, nós tiramos o barco da água e mandamos reduzir os lemes..
Lembro do olhar do Emílio para mim, tipo a perguntar sem nada dizer (o que esses caras fizeram??). No mesmo instante, Emílio acionou os dois motores do Voyager, argumentou queseria complicado velejarmos até a distante ilha sem piloto, e que o barco não estava arribando nem orçando a contento. Apartir dali usaria os motores de BE e BB para ajudar nas manobras.
Mestre Dijalma, o 3° na hierarquia de bordo, checando os motores descobriu um vazamento de óleo no motor de BE, após duas horas de muito trabalho de Nico e Dijalma o problema foi resolvido. Eu, Emílio, Dijalma e Nico... Turnos de duas horas no leme, sempre dois no comando, um no leme e outro no apoio. E o "vento de porão roncando, alto e forte". Digo a vocês, ninguém merece 34 horas com ventão de porão roncando no ouvido. Em determinados momentos, me senti profundamente irritado. Mais tarde, percebi que era o vento de porão, zunindo sem parar no meu ouvido estava me tirando do sério.

Com todos os probleminhas enfrentados, o saldo da "motorada" a Noronha foi positivo. Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas que são ícones da vela no nordeste, a exemplo de Maurício Castro, idealizador da REFENO. Maurício nos contou que montou uma tripulação para ver se era possível chegar até Noronha a vela em um 24 pés. Isto em 1900 e Araci de Almeida. A tripulação "pé na cova", como foi batizada pelos amigos de clube, chegou a Noronha após uma semana de mar. Depois disso, Maurício disse que foi juntar mais alguns comandantes "doidos" e estava criada a REFENO. O Próprio Emílio Russel é outro exemplo de pessoa que vale a pena conhecer. Cheio de simpatia e belas histórias, ele nos apresentou a dezenas de velejadores. Enfim, valeu a pena.

Já em Noronha, olhando a lista oficial dos veleiros que chegaram a ilha, vi o Voyager figurando em 3° lugar, mas ao lado um DSQ (desqualificado) por conta do vento de porão. O comandante Emílio, assim que cruzamos a linha, pegou o rádio e corretamente informou a CR que havíamos motorado desde o Recife.

Hoje a tarde, disse ao comandante Emílio que este ano ele esta mais para lancheiro do que para velejador, como resposta, recebi apenas um sorriso amarelo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O lado bom de ficar ilhado

Chegamos em Noronha às 24:00h de domingo após 34 horas de navegação (nosso recorde pessoal). Eu e Marta estamos de tripulantes do Voyager, um catamarã de 60 pés, uma verdadeira máquina. É nossa sétima visita a Fernando de Noronha e já descobrimos a alguns anos o lado bom de ficar ilhado, Noronha é um lugar único que vale a pena conhecer, interessante é constatar que quem conhece a ilha como aves migratórias, mais cedo ou mais tarde acaba sempre voltando. XX REFENO, este ano não foi diferente... Mais uma vez o catamarã baiano Adrenalina Pura é o fita azul, seguido do trimarã Ave Rara em terceiro cruzou a linha o catamarã Pick Nick. O Voyager chegou em 4° lugar, hoje a noite acontece a festa de entrega de premios no Porto de Santo Antonio. Eu e a almiranta estamos revisitando os pontos preferidos da ilha que são muitos. Na sexta-feira próxima, vamos levantar ferro e seguir para o Atol das Rocas.
Bons ventos com estrelas a barla para todos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Recebemos o 1° Comentário - Mensagem

Dia 18 recebemos nossa primeira mensagem ou comentário, foi do Hélio Viana e da Mara do Veleiro Maracatu - www.maracatublog.wordpress.com/ estes dois sempre muito atentos, simpáticos e amigos. Nosso muito obrigado ao Hélio e a Mara que estão a bordo do Horizonte esperando a largada para REFENO, vamos nos encontrar com vocês no dia 25 aí no Cabanga.